Existe um grunhido distante,
uma aflição vagando na noite,
suplicando no silêncio: despertem, atentem, socorram-se pois a dor já é presente.
Uivos e latidos respondem,
os gatos fogem,
os homens ignoram e no frenesi da vida dormem
pois logo chega o amanhã.
Há um desconforto no ar, mas poucos se importam.
Quem quer saber da dor noturna daquele que chora?
E no correr da noite ele continua lançando seu lamento,
esperando que o tempo o conforte e dele leve o choro,
libertando-o para sorrir, ou para viver ou ainda para não mais existir.


Alda Andréia