Respiro e sinto: tranqüila solidão.
A chuva repica insistente
Trotando no telhado
Convidando-me às ilusões.
Atenta, compreendo a arfância do vento
Cantando seus amores e louvores ao tempo
Que no tempo os abandona.
Na madrugada
Os elementos se tocam.
O frio embrulha os corpos dos amantes
Fundindo-os na ânsia de um só.
E, instigada pelo desejo, queimo, na cama fria e só.
O brilho úmido do olhar
Clareia o vazio do quarto
Suplicando o amante.
No peito, pulsa a vontade contida
Desconforto de um corpo febril
Pele sem toque
Lábios sem beijos
Um corpo sem sexo
Abandono do amante.


Alda Andréia