Não!
Não há palavras que me brotem da boca
Não há vontade maior que me insufle a verdade.
Sinto-me entalada
Asfixiada por um não dizer.
É o medo que me impulsiona
Isolando-me no silêncio
Protegendo-me das vontades.
Sacrifício maior, suicídio e morte
A cada não cantado.
Negação, esta, desmentida pelo próprio refrão
Não, não, não...
Ilusão de um não viver
Destino dos que fogem.
E me agito e grito
Na dor que há em mim,
Que insistente planeja transbordar no prazer.
Mas, não!!!
É tão mais fácil e seguro sofrer.
Como romper as correntes do próprio horror?
Onde encontrar o eu que se perdeu de mim?
Então, soluço e choro.
Refrescando-me na ilusão do herói
Momento em que serei vencida
E nos braços da vida...
Viver.


Alda Andréia